segunda-feira, 9 de setembro de 2013

terça-feira, 27 de agosto de 2013

O mau uso das redes sociais na campanha eleitoral de Santo Tirso.

As redes sociais estão na moda. Goste-se muito ou pouco, os canais de comunicação são cada vez em maior número e com diferentes impactos. Actualmente, uma das minhas ocupações é gerir redes sociais.

Saber comunicar para um grande público é apenas uma parte das tarefas. Saber escolher os conteúdos que partilhamos é muito importante: os cuidados com a aparência, a mensagem escolhida, o tipo de linguagem e o momento em que partilhamos.

Há várias técnicas para o alcance da nossa mensagem. Umas naturais, outras artificiais. E consigo identificar muito rapidamente o que teve natural impacto juntos dos utilizadores ou o que foi manipulado, para aparecer a mais pessoas.

O Luis Melo já escreveu no seu blog, Era mais um fino, o que pensa sobre este assunto. Afirma que não é ilegal, mas até é. A CNE informou os candidatos sobre uma série de limitações e em que a publicidade paga no facebook não seria permitido.

Vou deixar a minha opinião sobre isto e misturar algumas ideias que fui acumulando. A campanha digital entrou em força em 2013. É obrigatório estar presente, mas é preciso fazer bem. A uma empresa, fazer publicidade não chega. É preciso fazer BOA publicidade. A um político ainda mais.


E aqui começa uma série de erros. O design da grande maioria das publicações não é minimamente cuidado. A mensagem por vezes perde-se no mau alinhamento escolhido para o design. No entanto, a campanha entrava em ritmo de cruzeiro e como é política, os apoios surgiam, como é natural. Esta foto seguinte é um óptimo exemplo. A foto de capa, a mais vista pelo seguidores da página, porque está lá diariamente, tem a cara do candidato tapada pelo microfone.


As fotos apresentadas são partilhadas por amigos e familiares, os candidatos dão-se a conhecer, os elogios e as cartas de recomendação aparecem. O caminho escolhido pela grande maioria de candidatos a nível nacional, diga-se.

Até que, algo de muito estranho acontece. Há várias teorias que se podem construir sobre os motivos para impulsionar o número de gostos e de visitas às mensagens do candidato. Não sei, não quero especular sobre os motivos.

No entanto, há algo concreto a apontar. Tudo aponta para compra de publicidade ou para a compra de gostos (sim, já é um negócio receber uns cêntimos para se colocar gostos em páginas e publicações). Na parte legal, não me quero envolver. Estou mais do que habituado a ver os políticos a utilizar um decreto-lei XPTO/1 alínea 5 para dizerem que o que fizeram é correcto.

Quero focar-me nos resultados. A média dos gostos por publicação andava nos 30 a 40 likes, o que é o reflexo do impacto nos seus fãs da página. De repente, o vídeo de apresentação passa para os 650 likes e para uma série de partilhas. Wow. Fantástico. Era mesmo isto que as pessoas queriam, um vídeo.

Hummm... não, não é essa a realidade. Desse total de gostos, 80 a 90% vêm de estrangeiros. Indonésia em destaque. Chegou-se ao cúmulo de haver mais gostos na publicação do vídeo do que visualizações do youtube (no momento que escrevo, 618 visualizções, 690 gostos).

Cheguei a pensar que afinal Santo Tirso era muito conhecido na Ásia e que as pessoas se interessavam pelo que aqui se passa. Afinal não.

Foi apenas manipulação, uma tentativa de mais audiência às ideias do candidato. Correu muito mal. Ok, estas coisas do marketing digital nem sempre funcionam bem. Mas sabem o que me choca?

É que o candidato não tenha percebido o mal que isto lhe causa à sua imagem e que tenha permitido que a sua equipa de comunicação repetisse este procedimento, com destaque nas propostas políticas. Já passaram 7 dias desde a primeira tentativa de publicidade e continua ser usada noutras publicações. O que Alírio Cânceles pensa de Santo Tirso, tem muito mais impacto na Ásia do que no local onde deveria.

Além da legalidade e da moralidade, levanta uma questão muito mais importante e que já tinha tido um expoente máximo no panfleto da candidatura em que convida os cidadãos de Santo Tirso para uma apresentação que já tinha sido realizada 8 dias antes. Levanta uma questão de competência. Neste caso, de total incompetência no domínio de uma ferramenta tão importante como a via digital. E de incompetência na gestão de uma campanha, que me faz assumir que essa capacidade seria transportada para a gestão do município. O povo vai decidir nas urnas, mas para Alírio vencer, irá precisar dos votos asiáticos. De TODOS. Agora percebo o slogan.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Gangsters Indonesia: "Os crimes de guerra são decididos pelos vencedores. E nós ganhamos. E o que fizemos não é crime "

Fiquei várias vezes em estado de choque a ver este filme. Obrigado Luís e obrigado Daily Show por me darem a conhecer este fantástico trabalho de cinema mas acimda de tudo, de história.

The Act of Killing! está agora nos cinemas, é apresentado em forma de documentário e retrata uma sub-espécie quase humana - os gangsters indonésios, responsáveis pela "exterminação" de 1 a 2 Milhões de pessoas entre 1965 e 1966.

Ver que todo aquele regime está assente na mentira, no abuso do poder, na corrupção e no medo chocou-me muito mais do que aquilo que imaginava...

O ser humano é um bicho muito estranho, capaz de tudo... tudo! 




É impossível não associar este filme ao massacre de Santa Cruz, que me marcou bastante, na altura um miúdo com 14 anos. E leva-me a questionar, quantos países existem com ditadores que tudo permitem para que o seu regime se mantenha? Onde os seres humanos são obrigados a entrar na guerra, no "Kill or be Killed".

Aterrador ver todos os exercícios de graxismo que existe dentro deste tipo de sociedade e saber que os valores ocidentais, que tanto prezamos, logo ficam esquecidos se os montantes de dinheiro envolvidos são tentadores.
Ajuda a perceber porque os asiáticos são muito competitivos a nível de produção. "competitivos", aquela palavra bonita com que nos enganam para esconder a verdadeira - escravidão!

"Os crimes de guerra são decididos pelos vencedores. E nós ganhamos. E o que fizemos não é crime." - The Act of Killing!, 2012.

domingo, 21 de abril de 2013

O derby na capital portuguesa.

Assentar e escrever de forma regular não está a ser tarefa fácil. Um mês muito intenso, com um novo projecto quase a ver a luz do dia (fica para mais tarde), uma mudança nos horários, uma formação sobre e-marketing e o blog esquecido no canto. A ver se muda.

Ainda não sei muito bem que modelo escolher, se vários posts com temas diferentes, se apenas um com 3/4 temas. Não sei... Talvez um mix de tudo. O derby está quase a começar e ainda não sei se acabo o artigo antes do jogo começar, pelo que o melhor é ser este o único tema.

Este jogo é, a seguir ao jogo no Dragão, o de maior dificuldade para o líder Benfica. Jorge Jesus aprendeu imenso nas duas últimas épocas e este ano não cometeu o mesmo erro, rodando os jogadores, o que permitiu maior frescura e menor gap entre titulares e suplentes, como aconteceu no ano passado após o desastre de Guimarães.



É um facto que até a maioria dos portistas reconhece. Este Benfica está forte e está mais forte do que há dois meses atrás, onde teve uma série de resultados perigosos e onde podia ter descarrilado. Aguentou-se bem, tal como no início da época em que ficou sem Witsel, Javi Garcia e Luisão por dois meses e quase não perderam pontos. Um enorme trabalho táctico de Jorge Jesus a preparar os miúdos portugueses que ajudaram a equipa e a colocar Enzo Perez no meio. Uma época brilhante, até porque estão na final da taça e nas meias-finais da Liga Europa.

No entanto, o ano passado não foi apenas o cansaço dos jogadores. Foi o aspecto mental, foi os jogadores aplicarem-se muito mais na Champions do que nas competições internas que provocou o descalabro. Mais uma vez, JJ esteve bem em resolver este problema ao passar a mensagem de que perder a Liga Europa não é nenhum drama, a prioridade era a Liga. Bem, não o problema não foi resolvido. Foi adiado.

Nas próximas semanas, o Benfica e JJ podem ganhar tudo ou podem perder tudo. Ou ganhar apenas a Taça, que é fetiche de JJ. O cerco começa a apertar e a pressão vai ser enorme em cada jogo onde a bola não entrar cedo. Notou-se isso no jogo com a Académica, em que os últimos minutos de jogo mostraram péssima qualidade no futebol, apesar do coração e do querer.

O primeiro grande desafio chama-se Sporting, curiosamente uma equipa que parou o Porto na segunda volta e retirou dois pontos. Mas este Sporting é bem diferente do que jogou contra o Porto. E para melhor. Bruno de Carvalho foi eleito presidente. Foi para o banco em Braga e venceram no último minuto. Ele estava no meio dos adeptos, vibrou, festejou como todos os adeptos gostavam de ter festejado um triunfo numa época muito complicada para aqueles lados, resultado da gestão desportiva de Godinho Lopes.

Na jornada seguinte, nova vitória e novamente no último minuto.Alvalade explodiu e teve 15 dias para preparar o único objectivo que têm em prova: alcançar o 5.º lugar. E tudo ficou mais interessante na tarde de hoje. O Marítimo, o Rio Ave e o Estoril perderam e o Sporting com 3 pontos passa para 5.º lugar e salva a face após uma época desastrosa.



Este é o cenário no balneário leonino. Eu, como portista, acredito na vitória do professor Jesualdo na Luz, algo que ele fez várias vezes com o meu clube, sendo apenas parado no ano do túnel. A pressão para os lados da Luz está a chegar aos níveis mais perigosos, porque a meta está próxima e a ansiedade pode ser o último obstáculo a uma época de glória. Sim, infelizmente, o Benfica precisa de perder novamente o campeonato para a minha equipa ser campeã. Mas quantas vezes já fez isso? No legado de Vieira? Felizmente  várias.

P.S. Seja qual for o resultado, espero que não haja problemas no Marquês do Pombal. Em dia de derby, haver toneladas de pedras espalhadas pela rotunda pode ser uma arma muito perigosa.